12 de fevereiro de 2007

Moda pra Ler entrevista: Wilson Ranieri



Quando digitar “moulage” na busca dentre as páginas em português no Google as críticas do desfile do estilista Wilson Ranieri estarão entre os primeiros itens a aparecer.

O estilista paulistano de 28 anos estreou com elogios na São Paulo Fashion Week. Muito longe de ter sorte de principiante, o criador, formado pela renomada Faculdade Santa Marcelina, acumula a experiência de todas as edições do Amni Hot Spot e vende suas roupas em oito lojas brasileiras e três no exterior.

Há uma década trabalhando entre croquis, tecidos, agulhas e linhas, o criador contou ao Moda pra Ler um pouco sobre sua trajetória e de como o trabalho com moulage foi seu destino.

Moda pra Ler - Como surgiu o interesse por moda?
Wilson Ranieri - Quando era pequeno desenhava roupas. Era coisa de criança, mas gostava daquilo. Quando passou a novela “Tititi” havia um estilista chamado Victor Valentin que eu acahava o máximo. Eu tinha 6 anos. Também gostava de fazer roupas com lençóis. Enrolava os panos na minha prima e na minha irmã para elas brincarem. Quando fui fazer faculdade quase caí nas artes plásticas, mas fui pra moda. Eu achei o curso bem interessante.

Onde você trabalhou antes de começar com a sua marca?
Trabalhei com Elisa Stecca, na Serpuimarie na área de bolsas para exportação. Comecei minha marca no Amni Hot Spot em 2001. Também fiz um trabalho com a Huis Clos. Depois de me dedicar por 2 anos exclusivamente a minha marca aceitei o convite para dirigir a equipe da Acquastudio. Estou lá há um ano. Adoro esse novo desafio.

Inverno 2002 e verão 2003

Seu trabalho é conhecido por usar a técnica moulage. Porque optou por ela?
Quais as diferenças no produto final?

Moulage pra mim é quase o fundamento principal. Quase porque se associa a um bom planejamento de tecidos e acabamentos para que vire uma roupa boa. A construção me faz ir além. Começou pra mim quando era criança sem saber. eu fazia vários modelos. Pena que nunca ninguém fotografou.
Como falei, passava tardes brincando de enrolar lençol na minha prima e na minha irmã. Fazia vestidos de todos os jeitos. Misturava um lençol listrado com outro de bolinha, e outro liso. Construía diversas proporções. Durante a faculdade, descobrindo meu caminho na moda, me interessei pelos Ndebele, uma tribo africana que fazia roupas com couros de animais. Eles os enrolavam no corpo para proteção e se tornaram sua vestimenta tradicional. Eles têm estruturas muito próximas das nossas calças que hoje tem modelagem estabelecida. Achei isso incrível e comprei um busto de moulage. Comecei a fuçar antes de ter aula e já prevendo que esse seria o modo com o qual faria minhas criações, mesmo com as técnicas atuais.
Essa modelagem pronta que conhecemos se formou justamente com a repetição do mesmo raciocínio. Li muito sobre a evolução das técnicas de modelagem durante a faculdade. O assunto me interessa muito, mas o moulage virou meu método de criar.

Na hora de produzir a peça há alguma diferença?

O moulage, ao contrário do que muita gente pensa e faz, é apenas uma técnica de construção. Todo processo vira molde plano de papel com toda a marcação necessária. Ele pode ser reproduzido inúmeras vezes e escalado em tamanhos diferentes, como qualquer outra modelagem plana.

Verão 2006

Com quais tecidos você gosta de trabalhar?
Tecido pra mim é o fundamento número 1. Gosto de trabalhar com quase todos. Malhas, tecidos planos, sintéticos e naturais. O que importa é trabalhar o caimento, a aparência e o acabamento possíveis fazer. Escolher o tecido para o moulage é um exercício que se associa ao meu fundamento número dois: a construção.

Você entrou na São Paulo Fashion Week nessa edição de inverno. Você se enxerga como um novo estilista?
Sou um jovem estilista. Há algum tempo não me preocupo mais com esse titulo. Nem para o bem, nem para o mal. Tenho uma marca há 5 anos que vem se desenvolvendo e buscando mais espaço. Sou um jovem estilista, com uma jovem marca, mas, já desenhei e desenho para marcas com mais tempo. Fico muito feliz de fazer essa colaboração.

Despedida do Amni Hot Spot no verão 2007

Participar do SPFW foi um grande passo ou a experiência do Amni Hot Spot te deixou preparado?
O Hot Spot foi uma escola maravilhosa. Muita coisa foi testada ali. Foi um caminho de profissionalização, desenvolvimento do trabalho, cabeça e marca. Espero com o SPFW conquistar mais guarda-roupas alheios e que mais gente conheça meu trabalho.

Você pretende ter uma loja própria?
Certamente, mas não sei quando. Ainda não estamos planejando isso.



Estréia no SPFW no inverno 2007


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O Moda pra Ler é um dos blogs que integra a ação de lançamento do Rexona Crystal cujas embalagens foram estilizadas por Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço. Cada blogueiro escolheu a melhor forma de falar sobre o conjunto: site + promoção + desfile virtual. Como entrevista é uma das marcas registradas do blog, nada mais oportuno do que conhecer um pouco do trabalho de alguns dos jovens estilistas selecionados. Wilson Ranieri foi o primeiro.

Para o desfile virtual ele criou um modelo inspirado na palavra “Luxo”. No video que está no site ele fala sobre o look que criou. Para o Moda pra Ler ele contou que: “Foi muito legal ser convidado para participar. Adoro o Reinaldo e a Gloria. Adorei a indicação e aceitei sem pestanejar”.


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Crédito das Fotos:
Desfiles 2002 e 2003 - Moda Almanaque
Desfile verão 2006 - CHIC
Desfile verão 2007 - CHIC
SPFW inverno 2007 - Divulgação/ Wilson Ranieri

4 comentários:

  1. a-me-i seu blog, já esta linkado, passarei sempre...

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  2. Uau, muito bacana a entrevista, Laurinha!
    Um beijo

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  3. A entrevista está ótima, ele foi muito bem em sua estréia na SPFW

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  4. Adorei o seu blog Laura, muito criativo e interesante .
    Parabens pela iniciativa.
    Adriana Ribeiro.

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