14 de fevereiro de 2012

Sobre as roupas...

divagação rápida e sem figura para quebrar o jejum record do blog... Voltei.


Há muitos, e muitos anos atrás, as roupas eram deixadas no testamento. Uma família listava propriedades, jóias, casacos e vestidos. Um sobretudo durava algumas gerações. Quando o dinheiro estava em falta ele poderia ser penhorado, como um anel de ouro hoje em dia .

Numa sociedade da roupa, pois, a roupa é tanto uma moeda quanto um meio de incorporação. À medida em que muda de mãos, ela prende as pessoas em redes de obrigações. O pode particular da roupa para efetivar essas redes está estreitamente associado a dois aspectos quase contraditórios da sua materialidade: sua capacidade para ser permeada e transformada tanto pelo fabricante quanto por quem a veste; e sua capacidade para durar no tempo. A roupa tende pois a estar poderosamente associada com a memória ou, para dizer de forma mais forte, a roupa é um tipo de memória. Quando a pessoa está ausente, ou morre, a roupa absorve sua presença ausente. 

Faz um tempo li esse simpático livrinho chamado “O Casaco de Marx” escrito por Peter Stallybrass (Editora Autêntica), de onde extrai o texto acima. Ainda que o autor não tenha pensado no advento frenético do fast-fashion, vale mais lembrar que todo mundo carrega com carinho uma peça que foi da avó, do avô, ou de ascendência mais antiga, né? Aí o mundo material se torna o afeto. Deixa de ser matéria e passa a ser memória.

#bookdodia


Uma mala de viagem, por exemplo, dependendo do destino, e do seu objetivo, tudo que você precisa são roupas que aptas ao descarte sem remorso. Porém, em outras jornadas é preciso levar peças que façam você se sentir em casa. 

Que poderosas são as roupas, não? Mudam os sentimentos num simples fechar e abrir de botões. 

Voltando ao livro, fala precisamente da relação louca da roupa, como memória, matéria e mercadoria. E conta como Karl Marx,  também no papel de pai, vivia penhorando seu casaco para dar de comer a família, e, claro, para continuar escrevendo suas teorias: Ontem penhorei um casaco que remontava a meus dias de Liverpool, a fim de comprar papel para escrever, confessou. 

Pois é, quando uma situação é marcante lembramos da roupa que estávamos usando, ou do traje que outra pessoa que chamou atenção portava.

... Nas estradas do sul da Etiópia, onde o coração da África pulsa, as crianças de uma das tribos locais abordam os carros dos turistas falando “Hello, t-shirt” (Oi! Camiseta). Lá a roupa é uma moeda de troca, esmola, ou, inocentes do poder das roupas, um desejo inconsciente de construir uma memória diferente da que lhes já está traçada. 

6 comentários:

  1. Belo texto. Estava achando falta das suas postagens.

    ResponderExcluir
  2. Hoje no blog tem post novo, incríveis dicas de moda e beleza, faça uma visita e a companhe tudo que rola por lá.
    Beijos, espero sua visita.
    www.meuestilogugafernandes.com.br

    ResponderExcluir
  3. Oi TEXTO SIMPATICO , espero que voce passe um carnaval divertido. Se durante o dia o momento surgir passe pelo blog www.otmjoias.com.br/blog para ver o post AGRADAVÉL DIVERSÃO .
    Desejo-lhe que tenha um ótimo dia .
    www.otmjoias.com.br/blog

    ResponderExcluir
  4. Acabei de descobrir o seu blog e adorei o seu artigo. Realmente é interessante pensar na diferença entre o fast-fashion e a moda de antigamente. Eu particularmente gosto de fazer um mix no meu guarda-roupas com peças estilo Zara que já não duram mais do que uma estação (até porque a qualidade não é lá essas coisas) com peças especiais de grande marcas. Lógico que mesmo nas grandes marcas tem muita coisa estilo fast-fashion, precisa ter o olho certo. Quem sabe assim minhas netinhas virão fuçar no meu armário no futuro? É claro que as roupas boas custam mais, mas de repente com uma visitinha a um outlet dá para economizar um pouco. Eu moro aqui em Florença, na Italia, e perto da minha casa tem o The Mall. A cada final de estação eu passo lá para conferir as ofertas (liquidações) do outlet. Com um pouco de sorte dá para fazer bons negócios. :)

    ResponderExcluir
  5. Muito bom o texto, e de fato acontece msm de associarmos as roupas à determinado momento de nossas vidas sejam bons ou ruins! Falando em roupas, quem gosta de roupas mais em conta, encontrei um post bem legal, vela a pena, segue o link: "Frete Grátis Dafiti"

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.