10 de janeiro de 2011

Diário de Bordo: Bruxelas + livros

Dois mil e onze começou! O fim de ano foi super corrido e não consegui escrever mais sobre a viagem à Europa. Agora chegou a hora de recapitular. Estive em Amsterdã , na Antuérpia, depois fui a Bruxelas e terminei a minha jornada em Paris. A Cidade Luz estava linda sob a neve. Encontrar poesia na paisagem foi a saída para lidar com o estorvo de patinar (sem patins) nas ruas, orquestrando bolsa, casaco e guarda-chuva. Ainda vou escrever mais sobre a Antuérpia, e sobre Paris, claro, mas me adianto um pouco agora no percurso e paro em Bruxelas.

Bruxelas

Sempre quando estou em uma cidade desconhecida começo minhas caminhadas elegendo um museu básico e outro fora do circuito central para conhecer outra lado da cidade, menos povoado de turistas. A capital da Bélgica me encantou.

Na primeira escolha parte fui ao complexo de Museus que fica próximo a estação central de trem, onde visitei o Museu Real de Belas Artes da Bélgica. Por lá estava em cartaz uma exposição maravilhosa “Orientalismo na Europa: de Delacroix à Kandinsky”. Confesso que fui pensando no Kandinsky, porque me interesso mais pela arte a partir do final do século XIX. A exposição tinha apenas uma obra do Kandinsky, mas valeu a pena ver tudo e apreciar a interpretação e a admiração dos europeus pelo Oriente, até hoje tão misterioso. A mostra terminou no dia 09, mas ainda pode ser vista no site oficial.

"Improvisation III", Wassily Kandisnsky, 1909

"Os Reis Magos", James Tissot, 1894

"Femmes D`Alger Dans Leur Intérieur", Eugéne Delacroix, 1847

"A morte de Cleóprata", Hans Makart, 1874


No mesmo prédio do Museu de Belas Artes está o Museu Magritte. Um acervo deslumbrante com boa parte dos trabalho desse artista belga que é um dos expoentes do movimento surrealista. É dele aquele quadro com um desenho do caximbo escrito “Ceci n´est pas une pipe” (Isto não é um cachimbo).


René Magritte fotografado por Duane Michals, 1965

cartaz publicitário, "Primevére", 1926

"Le Retour", 1940

"La Chambre D´Écoute", 1958


Nas paredes dos museu estão escritas várias citações do artista. A que mais gostei foi:
"Être surréaliste, c'est bannir de l'esprit le `déjà vu ´ et rechercher le pas encore vu" (Ser surrealista é banir o espírito do já visto e procurar o ainda não visto). O trocadilho é legal porque a expressão “déjà vu”, usada para definir aquela sensação que vem do inconsciente de já ter vivido um momento. Inspiradora para a vida, né?

E olha só a moda tá sempre se relacionando com a arte. Lembrei desse livrinho da editora Assouline, chama "Moda e Surrealismo". A autora François Baudot comenta como o surrealismo influenciou a moda, da estilista surrealista Elsa Schiaparelli, até Jean Paul Gaultier nos anos 90. A capa é o "La Philosophie dans le boudoir", pintado por Magritte em 1948 e em seguida um vestido de Yves Saint Laurent e o quadro "En Souvenir de Mark Sennett", de 1934, também do artista belga.

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Na parte “não central“ de Bruxelas descobri o Museu Horta. Trata-se da casa onde o arquiteto belga Victor Horta morava. Ele é um dos ícones do estilo Art Nouveau. O diferencial é que ele criou absolutamente tudo que está dentro dela.

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O estilo Art Nouveau é intrigante porque é ao mesmo delicado, oriental, um pouquinho macabro e tem tudo a ver com a moda. Vou explicar bem en passant: o estilo surge na Belle Époque (final do séc. XIX e antes da primeira guerra) unindo design e industrialização. Ou seja, era chegada a hora do design ser algo acessível e ser produzido para as massas com renovação periódica para a vontade de consumo se reciclar (temporadas de moda, oi?). Une-se aí a influência do Oriente, linhas sinuosas e orgânicas.

Para entender o estilo é bom pensar também no pintor austríaco Gustav Klimt e no checo Alphonse Mucha. E a moda nisso tudo? Bom, no mesmo período dessa turminha bacana viveu o francês Paul Poiret . Um dos gênios da história da moda. Suas silhuetas lânguidas são a cara do Art Nouveau. Na história, nada é por acaso.


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Vale duas dicas de livros... As imagens acima são do livro "Poiret" também da François Baudot, pela Assouline. E o segundo é sua auto-biografia publicada pela editora do Museu Victoria & Albert de Londres.

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Para finalizar meu passeio por Bruxelas fui conhecer a loja do Margiela...

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Comprei o catálogo da exposição dos 20 anos do estilista na livraria incrível da Antuérpia.

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A sensação de ver um roupa dele de perto é tão intensa quanto ver um Magritte ao vivo, com a vantagem que dá para experimentar.

3 comentários:

  1. Saudades, Laurinha. Já ouviu o álbum da Karen Elson? Tem uma pegada que combina com esse post...
    bjs.

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  2. Nossa, tô abismada! Você visitou todos esses lugares fascinantes, fiquei morrendo de inveja lendo aqui. Uma roupa do Paul Poiret? Também ficaria muito emocionada se visse uma e aquelas pinturas são muito lindas! Me empresta seu livro do Poiret? hehe

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  3. Amei, muito lindo, obrigada por dividir conosco!

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