26 de junho de 2008

SPFW um rebolado, não um balanço

... antes que esse blog embrulhe peixes virtuais na pescaria de festa junina.

Minha vida foi bem agitada nas semanas de moda. Conheci muita gente e entrevistei muitas celebridades. Hahaha, adoro quando elas faltam, ou quando entram na sala e rola um pisoteamento de jornalista.

Ah! Vi desfiles também. Quase todos. “Saídas de emergência nas laterais do prédio da Bienal. Exits can also be found in both sites of The Bienal Building”. Sei como uma aeromoça se sente.

Às vezes tinha a impressão que os desfiles eram como um vagão de trem que passa apitando e o barulho ensurdecedor não deixa você prestar atenção nos detalhes. Só lembra do piuiiiiiiiii. Ok, ok... Chega de metáforas

Mas consegui enxergar: muito babado, parte de cima de biquíni com alças largas, macacão, coktail dress, inspiração na água e vestidos de todas as cores e jeitos. Quero um bem soltinho para o verão.

Confesso que meu coração bate mais forte nos desfiles de jovens estilistas, e em alguns clássicos, que trazem consigo uma carga de conteúdo. Acho que me atenho às novas marcas e estilistas porque também sou nova no mundo da moda, e seus códigos são mais legíveis para mim, ou porque torço por eles assim como torço para mim mesma.

Um elemento comum entre os novos (e alguns semi-novos) é trazer consigo mais do que um desfile, e sim uma experiência. A vontade de comprar moda hoje está muito mais ligada a experiência de vestir a peça, do que em sua funcionalidade. Por isso a fórmula de aproximar marcas que não são de moda à moda. “Agrega valor”. Os apoios aos estilistas, aliás são um capítulo a parte, incluem, por exemplo, Fiat, queijo polenguinho e band-aid.


Novos
A Amapô, grife de Pitty Taliani e Carol Gold montou um arco-íris de modelos no final do desfile. A trilha abriu com a introdução do “Curtindo a vida Adoidado”, depois teve “Power of. Love” do “De volta para o futuro”. A inspiração foi Asa Delta, tinha um clima “Armação Ilimitada“ - essa é para maiores de 25 anos. Elas parecem ter dado um salto da Pedra da Gávea. Amadureceram. A dupla, assim como Rita Comparato e Dudu Bertholini da Neon, têm torcida na platéia.



A Neon foi tropical e alegre como sempre, atenção especial para a estampa que lembra o quadro do Gauguin. Já para a Cori apostaram no México (sou mais a Neon).

Neon



Cori





O tom latino também apareceu nos viajantes de Rita Wainer para a 2nd Floor.






A Reserva foi acidamente colorida e a trilha sonora vibrante. Uma opção legal para os meninos descolados. Se a grife oferecer uma cartela de cores mais básica na loja acho que será um grande sucesso.




A Simone Nunes também acertou na trilha. Talking Heads - impossível não cantar “Psycho Killer ,qu'est-ce que c'est? fa fa fa fa fa fa fa fa fa far better Run run run run run run run away”. Acho a estilista muito talentosa. Feminina, moderninha, deixa as moças muito charmosas. Assim como a Camila Cutolo, da estreante Maria Garcia e a Priscilla Darolt.




A Priscila Darolt, assim como a Amapô, fez o cenário em 3D, parecendo livros infantis, que quando você abre pula um castelo. Vestidos fofos, pin up, bailarina, mas com uma certa agressividade. A Amy Winehouse ia adorar. E o casting estreladíssimo para uma novata? Flavia Oliveira exclusiva!!!



Já a marca jovem da Huis Clos enjaulou as modelos, numa referência a Coney Island e suas histórias de idealismo e depois de segregação. Ela fez ao contrário no desfile, as prendeu depois as soltou. As roupas tem esse clima dramático, mas poético e chique. (Não vejo a hora do bazar!!!)




O coletivo carioca OEstúdio apresentou uma integração multisensorial com vídeo, música e roupa. E saí da mesmice dos desfiles. No final entram modelos com roupas fluorescentes no melhor estilo Kraftwerk. Foi o primeiro desfile que vi. Dizem que os outros desfiles deles também foram nesse sentido, mas como foi o primeiro que vi, e tenho um caso de amor com a tecnologia, me identifiquei e amei.







Semi-novos

Ah! Ainda teve a Maria Bonita, Ronaldo Fraga que mostraram as coleções ao som de música brasileira. Raridade (a Poko Pano também teve trilha de Bossa Nova).

Na Maria Bonita, os sapato de palha caminhando na areia ao som de Dorival Caymmi foi um dos grandes momentos do São Paulo Fashion Week na minha opinião.




E Ronaldo sempre delicado, se inspirou no Rio Sâo Francisco e ousou colocar o sertão no meio do Japão da Bienal. Ele e Isabela Capeto, não receberam críticas positivas.

O mineiro porque foi o terceiro desfile depois de duas coleções bombásticas, a da Nara Leão e a da loja de tecidos. A carioca foi acusada de mesmice, por seu trabalho artesanal com bordados. Eu gostei das duas coleções e acredito que são estilistas, como poucos, que têm uma preocupação com todos os detalhes - cenário, release, convite, e claro, com a coleção. E, acima de tudo, têm cabide cativo no guarda-roupa dos respectivos clientes, muito bem definidos por sinal.

Ronaldo Fraga




Isabela Capeto




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Agora vou colocar as pernas para cima e dormir 8 horas ininterruptas.

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Crédito das fotos: Amapô - Atelier de Comunicação/ Divulgação; Neon - Fernanda Calfat/ Alice Ferraz/ Divulgação; Cori - Silvia Boriello/ Erika Palomino; 2nd Floor - 2nd Floor/ divulgação; Reserva - Gisele Najjar press & co/Divulgação; Simone Nunes - Fernanda Calfat/ Alice Ferraz/ Divulgação; Priscilla Darolt - Silvia Boriello/ Erika Palomino; OEstúdio - Marcia Fasoli e Ze Takahashi/ mktmix/ Divulgação; Ronaldo Fraga - namídia/ divulgação; Isabela Capeto - Silvia Boriello/ Erika Palomino

Um comentário:

  1. laura! spfw inteeeeeiro num post só, com direito a opinião! arrasou, amei! =)

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