4 de abril de 2008

mpl entrevista: Patricia Grejanin, Laundry

O Moda pra Ler ficou um pouco abandonado essa semana. Depois de alguns dias se adaptando a mudança de temperatura em São Paulo, eis que publico a primeira entrevista do ano. Agora que desencantou, espero que seja a primeira de muitas. Começo essa nova jornada de conversas com Patricia Grejanin estilista e proprietária da Laundry.



Patrícia (sem acento) é paulistana e ama morar na cidade. Só mudaria daqui para Nova York ou Los Angeles “Tão cosmopolita e tão moderno quanto São Paulo, e é claro, tem muitas lojas!”. Em São Paulo cresceu. Estudou boa parte da vida em colégios estaduais e se formou na Anhembi Morumbi.

Moda foi a primeira opção, mas também flerta com o design gráfico, apesar de não dominar os programas de imagem. “I wanna be your dog“ do Stooges, “Just like in heaven“ do Cure, “Ring of. Fire“ do Johnny Cash e “Rock de Casbah” do Clash são presenças garantidas e repetidas nos ambientes em que freqüenta e também no set list de suas discotecagens - nas horas vagas ela é DJ. Mas seu coração bate forte quando assiste a dança final do clássico “Dirty Dancing”.

Essa atitude punk –mulherzinha, aparentemente paradoxal, sintetiza bem a Laundry – a marca tem o toque feminino sem perder a rebeldia. Suas clientes são cativas e muito bem definidas, e, não por acaso, parecidas com ela. São amantes do punk, e do visual rockeiro. Fãs de tatuagens e de Courtney Love.

A Laundry existe há 5 anos e por dois deles deu as caras por quatro vezes na Casa de Criadores, mas já há duas edições não participa. Deixou o desfile de lado e abriu a Mint - irmã mais nova da marca original que pretende atingir um público abaixo dos 20 anos. Consciente do seu público, o lugar não poderia ser mais certeiro - a Galeria do Rock no centro de São Paulo.

Ela não tem medo de ficar rotulada como alguém que faz roupa para roqueiras, e conhece bem o lado comercial. Na entrevista abaixo, Patricia conta um pouco de sua história e antecipa alguns planos para marca.

Porque escolheu esse nome para sua marca?
Eu fiz uma viagem para Los Angeles e fiquei no apto de uma grande amiga. No prédio tinha uma lavanderia coletiva e ela ficava falando: "Vamos fazer a laundry! Vamos fazer a laundry!". E daí veio o nome!

Por que decidiu montar a Laundry?
O engraçado é que eu não tinha a menor idéia de montar uma marca! Eu nunca fiz um trabalho na faculdade voltado a isso! Eu estava terminando a faculdade e morrendo de vontade de sair do Carrefour e a intenção de morar fora. Foi quando uma amiga que trabalhava comigo me disse que tinha uma irmã que fazia umas bolsas e vendia no Mercado Mundo Mix e ela perguntou: "Por que você não faz alguma coisa pra vender lá?". E aí tudo começou.

Verão 2008

Você foi compradora do Carrefour, né? Por quanto tempo?
Sim,7 anos

Como foi essa experiência?
No geral incrível! Hoje, mais velha, consigo olhar dessa forma. Mas foi muito desgastante tb. Eu tinha 21 anos qdo entrei lá já com uma função de muita responsabilidade e eu sabia que aquele não era o meu mundo, mas pensei que poderia aprender muito e então fui ficando e ficando...

O que trabalhar com um varejo agressivo como o de um supermercado influencia na sua criação?
Me faz refletir mais sobre o lado comercial da coleção

Além do Carrefour, onde mais trabalhou?
Antes do Carrefour eu trabalhei numa confecção no Bom Retiro por 2 anos. Acho que foram esses dois empregos que me deram total embasamento.

Inverno 2006

O que você acha do rótulo de marca para roqueiras alternativas?
That's ok! Toda marca tem que ter seu público alvo e é claro que acabo vendendo pra outras pessoas também. Meu público alvo são garotas que gostam de rock! Se interessam por cinema, arte, viagens e tudo com um caráter alternativo. Música, em especial o rock, é algo que amo e acabei fazendo com que isso fizesse parte constante da minha vida, seja no trabalho ou nos momentos de lazer. Acho que não seria uma rockstar, mas adoraria que o Iggy Pop fosse meu pai!

Inverno 2006

Partindo dessa premissa foi por isso que decidiu abrir a loja na Galeria do Rock há dois anos?
Na real acho que foi uma ousadia minha abrir loja na Galeria do Rock. Imaginei que pudesse abrir uma loja lá para uma menina mais jovem que a garota da Laundry mas, essa menina, ainda só quer vestir camiseta, calça jeans, tênis e algum acessório e olhe lá. Por isso a loja tem outro nome. A Mint é a loja da Galeria do Rock! É um espaço muito fofo e bem diferente de tudo que tem por lá. A garota da Laundry é mais velha, tem acima de 20 anos. As da Mint tem menos de 20 e isso faz uma grande diferença.

É verdade que na galeria do rock o preço é um pouco mais baixo?
Adotei na Mint a política de reeditar os modelos da Laundry que tiveram sucesso comercial, assim posso vender um "pouquinho" mais barato pq são modelos de coleções passadas. Essa não era a minha ideia original mas por uma serie de fatores, tive que me adaptar.

Como estão as vendas por aqui?
Na real, devido a minha escola profissional, eu "exercito" o meu lado comercial. E esse não é o lado mais divertido, mas extremamente necessário.

Verão 2006

Você segue tendências?
Hummm, pouquíssimo. Não me interessa se amarelo está out. Se eu encontrar um tecido incrível amarelo, vou comprar e vai ter amarelo na Laundry! Acho que um pouco quanto as formas, é claro que se tudo aponta para cintura alta, vou ter alguma peça na loja. Nesse caso a tendência esta super ao meu favor pois adoro tudo com cintura marcada pois amo o fit 50's mas comercialmente falando, se não estivesse nas revistas seria bem dificil a venda.

Como desenvolve suas coleções?
Viajo, pesquiso na net, em revistas, livros, musicas.

Quais os tecidos que mais gosta de trabalhar?
Adoro trabalhar com tecido plano! Adoro tecidos de algodão.

Como você estruturou a nova coleção de inverno?
Eu não gosto muito de trabalhar com temas. Eu sempre começo a separar numa caixa ou numa pasta tudo que me chama atenção, imagens, fotos, trechos de música, formas, papéis de carta, embalagens. Junto tudo e sai a coleção! Eu tenho um olhar muito fotográfico também!

Quais suas expectativas para o mercado externo?
Tenho feito algumas vendas pra lojas no exterior, mas nada expressivo. Pretendo me estabelecer um pouco mais no Brasil pra depois pensar nisso.

Além das duas lojas onde mais vende Laundry?
BH, RJ, Curitiba, Campo Grande, Salvador, Porto Alegre. São as que me lembro agora, mas tem mais!

Você desfilava na Casa de Criadores e a partir da edição de verão 2007 não desfilou mais. Por que decidiu não desfilar mais?
Resolvi sair, pois estava com problemas em relação às datas do evento. Eu tenho loja e prazos para o lançamento de coleção e os desfiles estavam totalmente fora do calendário. O meu último desfile aconteceu dia 02 de novembro e eu já havia lançado coleção na loja há dois meses! Deveria ser ao contrário. E também porque acho que existe um time pra ficar lá.

Inverno 2006


Algum dia vamos ver a Laundry no São Paulo Fashion Week?
Meu sonho!rsss...Mas acho que preciso me estruturar um pouquinho mais pra participar.

Quais são os planos para a marca?
Esse mês lanço meu e-commerce dentro do próprio site da Laundry. Pretendo abrir uma loja maior na rua e mais algumas coisas que não posso falar ainda...rsss, mas depois te conto!

Você segue tendências?
Hummm, pouquíssimo. Não me interessa se amarelo está outsider...se eu encontrar um tecido incrível amarelo, vou comprar e vai ter amarelo na Laundry! Acho que um pouco quanto as formas, é claro que se tudo aponta para cintura alta, vou ter alguma peça na loja. Nesse caso a tendência esta ao meu favor pois adoro tudo com cintura marcada pois amo o fit 50's, mas comercialmente falando, se não estivesse nas revistas seria bem difícil a venda.

Como desenvolve suas coleções?
Viajo, pesquiso na internet, em revistas, livros, musicas.

Verão 2008

Quais os tecidos que mais gosta de trabalhar?
Adoro trabalhar com tecido plano! Adoro tecidos de algodão.

Como você estruturou a nova coleção de inverno?
Eu não gosto muito de trabalhar com temas. Eu sempre começo a separar numa caixa ou numa pasta tudo que me chama atenção, imagens, fotos, trechos de música, formas, papéis de carta, embalagens...daí junto tudo e sai a coleção! Eu tenho um olhar muito fotográfico tb!

Como é o estilo da Patricia Grejanin? Como é seu guarda-roupa? Como é a decoração da sua casa?
Diariamente de camiseta, jeans e Vans ou Converse. Qdo saio me arrumo um pouco mais, faço uma make up etc, e qdo isso acontece a pin-up "acorda"! Mas em geral estou de skinny, uma blusa, sapatilha e uma bolsinha de brecho-style. Eu sou uma consumidora compulsiva! Meu guarda roupa é considerável e tem muita coisa que nunca usei, princialmente sapatos! Tenho muitos de salto e acabo não usando. Não sei por que compro. Quanto a minha casa, é uma mistura de tudo que gosto! Nada muito combinando ou literal, só minha cozinha que estou montando pra ficar bem 50's.

Quantas tatuagens você tem?
14

Quais suas favoritas?
Tenho uma reprodução de um quadro do Mark Ryden que é minha favorita. Tenho muitas rosas. Adoro rosas!

Verão 2008

Você acha que um dia vai mudar de estilo?
Não, não acho.

Pode complementar a entrevista com alguma coisa interessante que você não falou sobre a marca ou sobre você nas perguntas acima. O espaço é seu.
Eu adorei as perguntas e adorei mais por vc não ter perguntado coisas do tipo: " O que você acha da Moda Brasileira?" hahahahaha

Um comentário:

  1. ...certa vez entrei na Laundry e me apaixonei pelos bonequinhos mórbidos que estampavam a vitrine, ao ver minha facinação pelas imagens, a Patricia veio até mim e começou a contar um pouco da vida do artista Marc Ryden como se ele fosse seu amigo de infância!
    Depois da aula de história, e um papo que terminou em filosofias sobre o mundinho fashion, fui me despedir dela, e vejo um dos quadros do artista tatuado em seu braço. Aí e me dei conta de que ela era a estilista, vendedora, e tudo mais daquela loja, irritantemente simpática!
    Além de ser uma estilista brilhante, muito inteligente e talentosa, a personalidade dela e a atitude forte me surpreenderam, e fiquei muito feliz por saber que pessoas como ela formam a nova geração da moda brasileira! Laura, parabéns pela entrevista! um beijo Gio

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