6 de julho de 2007

Revista Moda 22



Saiu hoje a edição 22 da revista Moda uma matéria minha sobre as marcas que não optaram por não desfilar nas semanas de moda. Em breve a matéria está disponível no site do jornal para assinante. Quem comprou corre na página 18.

O outro ladoDesfilar ou não desfilar?
Marcas bem-sucedidas provam que há vida fora do circuito das grandes semanas de moda


Duas vezes por ano as atenções do país se voltam para o Fashion Rio e para a São Paulo Fashion Week. Para participar de um desses eventos é necessário ser convidado pelos respectivos organizadores. Enquanto muitos esperam uma oportunidade, a corrida por uma vaga não aflige algumas marcas e estilistas, que preferem construir suas trajetórias à margem das principais semanas de moda brasileiras.

Adriana Barra, estilista paulistana amada pelas celebridades, acumula todos os elementos para participar de uma semana de moda: roupas criativas, uma charmosa loja em uma vila nos Jardins, clientes fiéis, negócios em expansão e a simpatia do organizador da SPFW. Mesmo assim, o maior acontecimento de moda do país não a atrai. "Paulo Borges disse informalmente que seria legal se eu participasse, mas na SPFW são muitas as obrigações para assumir. Por enquanto, minha grande passarela são as mulheres usando as minhas criações na rua", diz.

Carolina Dieckmann é uma das famosas que está na lista de clientes de Adriana. A atriz, contudo, acredita que as semanas de moda são importantes para os estilistas. "É a oportunidade que eles têm para mostrar o que criaram, num momento em que toda a imprensa está voltada para isso", afirma.

A consultora de moda Mariana Rocha mensura o alcance das semanas de moda. "Os desfiles são grandes campanhas publicitárias, e nesse sentido não há nada igual", diz. A editora de moda da revista "Vogue", Maria Prata, tem outra opinião: "Não acho que o desfile seja o principal meio de tornar a marca conhecida. Muitos criadores ainda não têm estrutura para desfilar".

Para a "stylist" Marina Franco, o desfile é sempre válido, mesmo sem todas as condições necessárias. Para ela, o que importa é o resultado que a empresa espera desse investimento. "O desfile é um degrau a mais. A pergunta que o designer tem que fazer antes de entrar em uma semana de moda é se seu comprador vai a esse tipo de evento."

A resposta da pergunta sugerida pela "stylist" foi o que estimulou a estilista paulistana Cris Barros a realizar desfiles solos. A apresentação das coleções é sempre realizada em lugares sofisticados, como o restaurante Fasano, e tem em sua lista de convidados os clientes de atacado e varejo e muitas celebridades. "Marcamos nas datas e horários mais convenientes aos nossos compradores. As roupas apresentadas estão disponíveis na loja no dia seguinte. Esse método traz bastante força nas vendas", afirma.

Com o foco sempre voltado para a área comercial, a Le Lis Blanc possui mais de 30 lojas em todo país. São dez espaços próprios e outros 20 licenciados. A divulgação da marca é feita por meio de um intenso trabalho voltado aos licenciados, anúncios publicitários e marketing de relacionamento com as clientes. No lugar de catálogo, a grife faz uma revista, onde dá dicas de viagens, gastronomia e estilo de vida. A empresa nunca pensou em participar de uma semana de moda. "A Le Lis Blanc não é uma marca criadora. Além disso, enquanto esses eventos acontecem, as novas coleções já estão nas araras", conta Célia Jezler, diretora de marketing da marca.
Mesmo com objetivos diferentes da Le Lis Blanc, alguns jovens estilistas preferem deixar as semanas de moda de lado e continuar apostando no conceito com uma atitude discreta e a estrutura pequena.

A Maria Garcia, marca jovem da Huis Clos, já foi sondada pelos organizadores da SPFW e recusou o convite. "O desfile exige uma estrutura de fábrica que atualmente não temos", diz a diretora de estilo da grife, Camila Cutolo. "A nossa cliente quer exclusividade. Na SPFW ficaria difícil manter essa característica", completa.
"Gosto desse clima de segredinho", diverte-se a estilista Giovana Hassler, dona da empresa que leva seu nome. Ela divide com a criadora da Maria Garcia a vontade de manter a discrição de sua grife. "A melhor propaganda é a boca-a-boca. Tenho medo de participar de um grande evento e descaracterizar a marca", revela.

A grife de moda praia Jo de Mer abriu no final de 2006 sua segunda loja, no shopping Iguatemi. Sua proprietária, a ex-editora de moda Amália Spinardi, também não planeja desfiles da marca. "A empresa é pequena, e a produção é restrita. Tenho dúvidas se um desfile de grande proporção trará resultados que justifiquem o investimento. Se alguém me provar o contrário, pensarei na possibilidade", analisa.

A pesquisadora de moda Carol Garcia concorda com a atitude das estilistas. "É fundamental o criador saber o que ele quer do produto. A passarela é um pedaço do sonho. O estilista não pode decepcionar o consumidor. Tem que dar continuidade a esse mundo mágico na vida real", diz.


por Laura Artigas
fotos Filipe Redondo

3 comentários:

  1. o blogview bombou nessa edição da revista de moda: tem você, eu e a olívia...
    e é o melhor número da revista sob o comando do alcino

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  2. E não é que eu esqueci de comprar? Que raiva de mim mesma!

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  3. que bacana laura!!!!! parabens!!!! posta aqui para eu poder ler pleaseeeeeeeeee!!!!!!!!!

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