10 de junho de 2007

Moda pra Ler entrevista: Helene Afanasieff

Helene em seu ateliê no centro de São Paulo

Ela é russa, mas nasceu na Alemanha. Segundo a designer de jóias Helene Afanassieff “aqui no Brasil a nacionalidade é definida apenas pelo lugar que nascemos”. Apesar da mescla de culturas em sua certidão de nascimento foi no Brasil que estruturou sua vida. Veio ainda criança com os pais fugidos da segunda guerra mundial. Aqui se formou arquiteta pela FAU na USP no final dos anos 60 e trabalhou na área desde então.

Nos anos 80 começou a fazer jóias no seu tempo livre até que as amigas começaram a pedir e hoje divide seu tempo entre o trabalho de professora no curso de arquitetura e em seu ateliê no centro de São Paulo. A habilidade para manusear alicates, formas e maçarico ela atribui ao pai, engenheiro que adorava ferramentas. Nessa entrevista ao Moda pra Ler, Hélene, conta um pouco como é o trabalho de um joalheiro e os desafios dessa profissão.


brincos de prata

O que te atraiu na joalheria?
O fato de dominar o processo de produção. Quando você domina as ferramentas você é capaz de fazer tudo. Além disso, o joalheiro pode ser designer e artesão ao mesmo tempo.

Quais são as principais técnicas de joalheria?
Eu considero três. A composição, onde se trabalha com chapas e fios; a escultoria que se liga diretamente a escultura – onde se trabalha com formas volumétricas e a assemblaje, que é a técnica utilizada pela bijouteria de unir várias peças.

pingente de ouro gravado com renda

Qual das três técnicas você gosta mais?
Já passei pelas três. Atualmente trabalho mais com peças volumétricas, nas quais posso aplicar técnicas diferenciadas. Como gravura, por exemplo.

Fala um pouco dessa nova coleção
Gravei algumas peças com renda. A inspiração vem das formas da natureza principalmente. As formas naturais dão subsídios inesgotáveis para a criação.

anel de prata com pérola

Quais materiais você gosta de trabalhar?
Prata e Ouro. E adoro pedras como âmbar, pérola, madre-pérola, também com fósseis.

Você desenvolve sua coleção de forma autônoma. É difícil conseguir matéria prima e bons parceiros?
Não. São Paulo é uma cidade maravilhosa para quem trabalha com joalheria. No entorno da Praça da Sé há muitas lojas que vendem a matéria prima. Assim como bom ourives para trabalhar em parceria. No entanto, quem quiser se dedicar a joalheria vai precisar de um bom investimento.

colar de prata

No que a formação em arquitetura te ajuda?
Assim como na construção, na joalheria cada peça precisa de um projeto.

Como é o mercado de jóias no Brasil?
No Brasil existe um problema sério de não valorizar o artesanato. Aqui você compra uma renda artesanal linda no nordeste por um preço muito baixo. No Estados Unidos e na Europa é o contrário. O trabalho feito a mão custa o triplo. No Brasil o mercado também é muito divido há jóias, semi-jóias, bijouteria – até a questão semântica no Brasil é complicada.

anel de quartzo

A gente conhece jóia como brinco, colar, pulseira, mas a joalheria é que isso, né?
Lembro uma vez que a designer Miriam Mamber chamou alguns arquitetos para desenvolver jóias. E foi bem interessante ver as jóias com outra funcionalidade. Não apenas esse comum que conhecemos.

Você tem projetos nesse sentido?
Sim, eu e o Paulo (Mendes da Rocha - seu marido) queremos desenvolver uma linha de objetos para casa. Já temos algumas coisas em curso.

objeto de mesa feito em prata

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Imagens: Helene Afanasieff/ Divulgação
Contato: heleneaff@terra.com.br

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