4 de maio de 2007

Moda pra Ler recomenda: tecido da floresta

Com o aquecimento global pipocando nos notíciarios, a adoção de processos de produção sustentáveis são essenciais. A moda, como uma das grandes industrias brasileiras, tem que entrar na dança e encontrar alternativas que agridam menos o meio ambiente e ajudem o desenvolvimento social do país.

Há um ano atrás o Moda pra Ler publicou uma matéria sobre a moda feita da floresta . Um dos projetos citados na matéria, a Coopflora, pode ser visto até domingo, dia 06, na Bienal do Ibirapuera no estande da SUFRAMA na feira Natural Tech. A maior parte dos expositores traz novidades nos setores de alimentação e medicina, porém, também há roupas e acessórios.

Fica o convite para o leitor conhecer o projeto e relembrar a matéria:

Dois projetos de moda muito interessantes, socialmente e ecologicamente corretos, estão acontecendo em Rondônia e no Tocantins. Em ambos a produção de bolsas é o mote das iniciativas que representam geração de renda, desenvolvimento e a valorização do material extraído da floresta.

Terezinha de Paula mora em Vale do Anari, uma pequena cidade em Rondônia. Lá trabalhava como seringueira. Há dois anos ela iniciou com o seu marido, também seringueiro, a Coopflora, cooperativa vai gerar emprego e renda para as famílias locais que vem perdendo o emprego em função da queda no preço da borracha.

A história da extração de látex inspirou a artesã a idealizar uma linha de produção de bolsas feitas com o “tecido da floresta”. Os “soldados da borracha” como eram chamados os trabalhadores que extraiam o látex da seringueira usavam “sacos defumados” para carregar seus pertences no trajeto que faziam pelo meio da floresta. Essas bolsas improvisadas eram feitas como material extraído da árvore.

Transformar seringueiros em costureiros e designers não foi tarefa fácil. Terezinha e o marido foram buscar ajuda para implantar a idéia e assim surgiram parcerias com a Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR), Governo Estadual, Ministério do Meio Ambiente e Sebrae local. O Sebrae trouxe químicos que trataram o tecido, que em sua forma primária tem um cheiro muito forte. Também foi feita uma pesquisa de aceitação de mercado, estruturação de um galpão e aquisição de máquinas de costura. A criação é coletiva e as ex –seringueiros, agora artesãos, usam linhas coloridas e sementes amazônicas para ornamentar as bolsas.

Em sua primeira visita a São Paulo, a convite da ONG WWF, Terezinha saiu em busca de oportunidades de negócios para sua novíssima linha de produção. Já conseguiu contato com uma importante marca que desfila no SPFW, que vai analisar as mantas, como é chamada a peça do tecido da floresta, para utilizar em roupas e acessórios.

Se achar dentro da sua bolsa caríssima uma etiqueta com os dizeres “Látex natural das seringueiras nativas transformadas em moda” já sabe que foi feita pelas mãos de Terezinha e seus cooperados.

Você também pode estar andando nos Estados Unidos, na Arábia Saudita, em Israel ou na ilha de Guadalupe comprar uma bolsa incrível feita com pequenas peças de madeira e se deparar com uma etiqueta made in brazil. Os mostruários da Amazon Hands já estão nesses lugares.

A empresa do tocantinense Wender Martins nasceu há pouco menos de um ano já focada ao mercado externo. O empresário tirou de suas experiências de moradia em outros países (Nova Zelândia Austrália, Espanha e Inglaterra) a vontade de produzir peças genuinamente nacionais, em que a qualidade fosse o pré-requisito.

O artesanato brasileiro sempre encantou o empresário. Foi vendo peças na cidade de Uruaçu em Goiânia que veio a idéia de produzir bolsas e objetos de decoração com pedaços de madeira.

As primeiras peças não tinham controle de qualidade e por isso foi feita a opção por usar madeira certificada pelo FSC (Forest Sterwardship Council – Conselho de Manejo Florestal). As madeiras com esse selo são retiradas da natureza de madeira controlada de forma que não agridam o desenvolvimento da floresta.

O desenvolvimento de produto é coordenado pela uruguaia Ivone Cáceres e pelo paulistano Wagner Andrade. O casal já trabalhava fazendo peças artesanais baseadas no crochê aliado a outros materiais. Além da supervisão também trabalham como artesãos.

A madeira vem em toras. As pecinhas são feitas uma a uma. Hoje a fábrica produz 500 peças por mês, todas feitas manualmente por 15 funcionários. O objetivo de Wender é conseguir aumentar 10 vezes essa quantidade. Segundo o empresário a maior dificuldade é a logística. A madeira vem do Pará, máquinas e aviamentos de São Paulo e a produção se localiza em Palmas.

Os produtos da Amazon Hands são feitos com tamanha perfeição que é difícil acreditar que a costura do forro não fica visível. Além das bolsas, são feitos: caminho de mesa, jogo americano, nécessaire, frasqueira e abajur.


As peças da Amazon Hands e Coopeflora ainda não têm pontos de vendas fixos. Por enquanto para comprar só direto com os produtores. Lojistas?

***
Notas:
Essa foi a primeira reportagem feita com entrevista para o blog.
As entrevistas foram feitas durante a II Feira Brasil Certificado que aconteceu entre os dias 18 e 20 de abril de 2006 no Centro de Exposições Frei Caneca.


Créditos das fotos: Laura/ Moda pra Ler

Legenda das fotos de cima para baixo:
1 Terezinha de Paula e sua bolsa feita com Tecido da Floresta
2 Outros Modelos das bolsas da Coopeflora
3 Bolsas da Amazon Hands
4 Selo FSC.

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