19 de dezembro de 2006

Gadgets Fashion


Aparelhos eletrônicos viram símbolo de status e começam a tirar consumidores de moda

O guarda-roupa vazio do estudante de fisioterapia Raphael Cury, 18, contrasta com a mesa repleta de eletrônicos. O notebook divide espaço com o iPod, o palm top, a câmera fotográfica digital e o celular. “Tenho pouca roupa porque prefiro juntar meu dinheiro para comprar eletrônicos”, revela.

Um celular multifuncional com o design arrojado custa mais de R$1mil. O modelo mais barato de iPod vale cerca de 800 reais. Os valores altos já não assustam as meninas que começam a compartilhar a atitude de Raphael e economizam nas roupas para gastar com gadgets eletrônicos.

As bolsas que a aluna de arquitetura, Beatriz Vanzolini Moretti, 20, adora comprar tiveram que esperar seis meses até que ela conseguisse comprar o player da Apple. “Foi o maior investimento que já fiz”, confessa a proprietária de um modelo de 20GB. A lista de eletrônicos da estudante inclui celular com câmera, máquina fotográfica digital e palm top. O próximo passo é comprar um notebook.

Rony Rodrigues, diretor da pesquisa de tendências Box 1824, aponta que o iPod e todos os gadgets eletrônicos, mais que a moda, são a novidade: despertam o desejo de estar conectado com a última tecnologia e de poder carregá-la para todos os lugares. “Hoje o mesmo modelo de camiseta está na cadeia de lojas Zara e na grife de luxo Dior. Os eletrônicos estão em um patamar mais alto no imaginário dos consumidores. Dá mais status ficar com o mais difícil de alcançar”, explica.

As empresas de vestuário reconhecem o avanço nas vendas dos gadgets e as encaram como um verdadeiro desafio para o futuro da moda: “O gadgets são os novos brinquedos. Alcançaram o desejo dos adultos”, afirma o estilista Maxime Perelmuter. As grifes se preocupam cada vez mais coma substituição das roupas por esses novos objetos. “A moda tem que ficar atenta ao comportamento do cliente que consome eletrônicos para criar produtos cada vez mais desejáveis”, conta Cláudio Pessanha, diretor comercial da Zoomp.

Algumas marcas já optam por se juntar à concorrência. A marca de jeanswear Buccanes comemora o sucesso nas vendas da calça com porta iPod lançada em setembro: “É uma das peças mais caras da coleção de verão e as lojas estão pedindo reposição”, conta o proprietário Julio César Uga. A calça custa cerca de R$250,00. A Levi´s foi mais longe e criou um modelo que já vem com um iPod especialmente desenvolvido para a marca. “É natural que a moda se aproxime da tecnologia”, conta José Cláudio Motta diretor de marketing da empresa. A RedWire™ DLX custa R$1500,00 em edição limitada à venda em apenas duas lojas.

As mulheres dispostas a pagar pela tecnologia são o alvo das indústrias de eletrônicos que querem transformar seus produtos em acessórios fashion, de estilos tão diferentes quanto as roupas de uma temporada e que deixam de valer na próxima estação.

“O tempo de troca do celular diminui cada coleção. Hoje são 11 meses, contra 19 da temporada passada. Os modelos coloridos agradam muito às mulheres”, afirma Andréa Vasconcelos, gerente de marketing da fábrica de celulares Motorola. A empresa apresenta coleções de telefone há cinco anos na São Paulo Fashion Week.

No mesmo caminho segue a industria de eletrônicos Sony que já mostrou seu produtos em eventos das marcas V.Rom e Ellus 2nd Floor. “O mercado tem dobrado a cada ano e as mulheres têm contribuído muito para esse crescimento”, explica Marcus Trugilho, o gerente de comunicação da multinacional. Uma câmera digital cor-de-rosa de 7.2 mega pixels, de R$2 mil é a nova aposta em eletrônicos fashion da empresa.

Muitas mulheres ainda resistem, como a atriz Aline Baba continua abarrotado. O celular e a câmera digital foram presentes. “Não vou mandar cartas ou falar de orelhão. Os eletrônicos são práticos, mas não ajudam a ficar mais bonita como uma roupa faz”, diz.

A personal stylist Fernanda Resende, 28, por sua vez, conta que está se rendendo cada vez mais aos eletrônicos. Seu objeto preferido é o celular que também é palm top, câmera fotográfica e filmadora. “Ando avaliando custos e benefícios de eletrônicos em relação às roupas. Outro dia saí para comprar uma saia e voltei com um iPod”, revela.

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Essa matéria fiz para a revista Moda da Folha de S.Paulo da última sexta-feira, dia 15. A Fernanda da Oficina de Estilo foi uma das entrevistadas.
A revista logo logo estará disponível na internet.

Um comentário:

  1. vim registrar que me adorei saindo pra comprar uma saia e voltando com um ipod! arrasou no texto, gata! thanx!

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