Seu corpo, sua casa



Em cartaz no Teatro Sergio Cardoso em São Paulo até domingo a Companhia de dança Deborah Colker apresenta “Dínamo”. A coreografia é une "Maracanã", encomendada pela Fifa e apresentada na Alemanha durante o período da Copa, e "Velox" de 1995, feita em uma parede de alpinismo. Na manhã de hoje, Deborah Colker aproveitou sua estada em Sâo Paulo e fez uma palestra na faculdade de arquitetura Escola da Cidade, no centro.

A bailarina e coreógrafa fala com emoção dos seus projetos, que são os resultados da integração entre movimento e espaço, necessidade e a precisão. Todos os seus espetáculos têm um viés filosófico, ora Bauhaus, ora Freud, ora a repressão da sociedade. São teorias traduzidas em cenário, figurino e em movimentos precisos. “Quando eu digo ao bailarino que ele deve cair aqui. É aqui! Não é mais para o lado”, conta com rigor.

Ver Deborah Colcker falando sobre arquitetura faz pensar que a coreógrafa é uma grande arquiteta. Ela projeta a sincronia forte e poética entre cenário, dança, música e figurino.



“O processo de criação é uma das coisas mais incríveis da vida. O começo é muito difícil. Quando inventei de fazer o espetáculo ‘Nó’, ficamos quase um ano ensaiando e não saia nada. Durante a montagem faço questão que todo mundo que participa sinta o conceito. Nunca liguei para alguém e encomendei uma trilha sonora ou um figurino”.

Ela conta com o cenógrafo Gringo Cardia, que é conhecido dos VMBs por dirigir videoclipes, e a trilha sonora fica por conta dos produtores Berna Ceppas e Alexandre Kassin, que cuidam dos disco de vários artistas como Los Hermanos e Caetano Veloso.

Figurino

Nos últimos dois espetáculos a coreógrafa chamou estilistas para compor o figurino. Nos seis primeiros as roupas de cena foram criadas pela figurinista Yamê Costa que também atuou muito em vídeo clipes e hoje faz assessoria de imprensa para eventos de moda.

Em “Nó”, de 2005, ela chamou Alexandre Herchcovitch. “Chamei o Alexandre porque ele é muito bom em alta costura, mas ele propôs malhinhas (risos). Ficou uma roupa erótica sem ser vulgar e com um toque de humor. Os bailarinos tinham as costas super decotadas e para as mulheres a região pública era coberta com um tecido que imitava os pelos, e isso misturado com umas rendas. Ficou ótimo”.




Para o “Dínamo” Anne Gaul do O Estúdio inventou um uniforme de futebol colorido e com meiões, caneleiras coloridos.





“O figurinista tem que ver para quem está fazendo a roupa. Um bailarino tem quadril largo, a outra perna curta, o outro o tronco longo. A roupa não pode prejudicar o formato do corpo no palco”.

Um novo espetáculo, na linha do “Nó” já está em curso. A coreógrafa não adianta nada, mas conta que o Circe du Soleil, “a maior indústria de artes cênicas do mundo”, segundo ela, a convidou para dirigir um espetáculo: “Eles me chamaram e contaram que já inventaram de tudo e que queriam que eu criasse algo novo. Tomei um susto. Eles se encantaram com a simplicidade da parede do Velox, e em pensar que o espetáculo deles custa uma fortuna”.

Entre os muitos movimentos da vida, a bailarina se conta que se encanta pelos mais banais, os movimentos cotidianos: vestir-se, comer, escovar os dentes, são eles as grandes inspirações para suas coreografias. Deborah Colker sintetiza sua paixão e seu trabalho com um frase: “seu corpo, sua casa” - precisa.

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Crédito das fotos:
Espetáculos - divulgação e Estado de S. Paulo
Deborah - Laura/Modapraler
Figurino - O Estúdio

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