30 de junho de 2006

A escola que marcou a Alemanha e o mundo

Em tempos de Copa na Alemanha, o resgate da história desse país é mais que oportuno. Além de três títulos mundiais, a nação de língua difícil também tem em seu currículo uma louvável história do design e moda. São de lá nomes e marcas como: Karl Lagerfeld, Adidas, Volkswagen e Mercedes Benz.

No começo do século, logo após o final da primeira guerra, existiu na Alemanha uma escola de artes inovadora chamada Bauhaus (em português a Casa da Construção). Ela foi fundada pelo arquiteto Walter Gropius e encerrou suas atividades quando os nazistas assumiram o poder. Entres os professores da instituição estavam Marcel Breuer, Paul Klee, Wassily Kandinsky e Mies Van der Rohe.

Objetivo:
“ A Bauhaus quer estabelecer harmonia entre as diferentes atividades da arte, entre todas as disciplinas artesanais e artísticas e torná-las inteiramente solidárias de uma concepção de CONSTRUIR. Nosso objetivo final é a obra de arte unitária – o edifício – na qual não haverá distinção entre arte monumental [artes maiores] e arte decorativa.” (Walter Gropius)

O currículo da escola era organizado da seguinte maneira: curso preliminar (6 meses); ensino técnico (3 anos) e mais dois anos para formação em arquitetura, que segundo Gropius, era a síntese de todas as artes. O estudante também podia optar pela formação técnica em um dos temas que estudavam. Nos três anos de preparação técnica os alunos freqüentavam laboratórios de teatro, marcenaria, metais (caixilhos, estruturas etc), cerâmica, vitrais, pintura mural e tecelagem.

Em 14 anos (1919-1933) de funcionamento a Bauhaus mudou três vezes de lugar em função do avanço do nazismo. Eram os governos municipais que financiavam a instituição, e como os seus dirigentes e professores tinham simpatia pelo pensamento socialista, conforme o nazismo avançava a escola ia buscando cidades cujo governo era mais liberal. A primeira sede, em 1919, instalou-se em Weimar, a segunda, em 1925, em Dessau e, em 1930, a Bauhaus mudou-se para Berlim, onde seria fechada três anos mais tarde.

O ateliê de Tecelagem da Bauhaus
Pouca gente se interessou inicialmente em se formar como tecelão pela Bauhaus. Os rapazes enxergavam a tecelagem como uma tarefa feminina e as moças dos anos 20 estavam começando o processo de emancipação feminina e não queriam estar ligadas a atividades consideradas exclusivas de mulheres. Assim, conseguir uma pessoa que cuidasse do departamento de tecelagem foi muito complicado. Foi a única mulher que lecionava na Bauhaus, Gunda Stölzl, que estruturou o ateliê. Em 1930 quando o também arquiteto Mies Van der Rohe assumiu a direção da escola, sua mulher Lili Rajh afasta Gunda. Um ano antes do fechamento da escola , Lili instituiu a moda como matéria obrigatória dentro do ateliê de tecelagem.

Um dos professores dessa especialização em tecelagem era o artista plástico Paul Klee, principalmente quanto à arte da estamparia. No começo apenas 22 alunos se interessaram na especialização têxtil, mas depois da exposição anual da instituição em 1923, com os elogios de Walter Gropius, o número de alunos aumentou para 114.

Os teares eram ocupados principalmente por tecidos para decoração e tapeçaria. A produção de roupas foi inexpressiva. Isso se explica porque a produção da Bauhaus era focada na produção industrial em grande escala e só depois da segunda guerra que o prêt-à-porter se estabeleceu amplamente no mercado. Os grandes legados do ateliê têxtil foram tecidos tecnológicos e as estampas em formas abstratas.

Até hoje
Os poucos anos de funcionamento foram suficientes para influenciar toda a arquitetura e o desenho industrial moderno. Aqui no Brasil arquitetos como Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha e Villanova Artigas têm referências à Bauhaus possíveis de serem identificadas em suas obras. A Bauhaus influenciou também os cursos de formação de arquitetos e de designers em todo o mundo. Como seus principais representantes foram exilados nos EUA, a arquitetura e o design norte-americanos, após a segunda guerra, têm grande influência da Escola de Weimar.

Na moda, pontualmente, algum estilista usa a Bauhaus como referência, como já aconteceu com uma linha de roupas da grife alemã C-Neeon. Bauhaus também é o nome de uma banda de rock dos anos 1980.

A herança da Bauhaus está descrita em muitos livros já traduzidos para o português. Há também o museu da escola em Berlim, sua última sede.

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Legenda das Fotos: de cima para baixo
- Cadeira Wassily de Marcel Breuer, elaborada na Bauhaus
- Tapeçaria feita pelos alunos do Ateliê de Tecelagem
- Retrato de Gunda Stölzl
- Vestido desenvolvido na Bauhaus

Agradecimentos: Consultoria afetiva e histórica da professora Rosa Artigas.

Um comentário:

  1. Muito bom esse texto. A bauhaus é definitiva no design modermo

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