15 de junho de 2006

Costureira sim, com orgulho!

Em abril conheci Edinalva Maria da Silva, a Nalva, e seu talento para costura. Numa tarde de sábado (rapidinho para não tomar seu tempo) ela contou um pouco da sua vida e como é estar do lado de lá das roupas finas que desfilam nos grandes eventos de moda.

Atualmente ela trabalha na loja da estilista Gisele Nasser na rua Oscar Freire. Está a disposição das clientes para ajustar as roupas. Antes trabalhou quatro anos para o Carlos Miele. Sua especialidade é alta-costura e hoje diz que não há trabalho que ela não possa fazer. Nascida em Canindé, interior do Piauí, veio para São Paulo com 18 anos e se orgulha da profissão, da casa que comprou na zona norte e da filha Mayara de 13 anos, que cria sozinha.

Modapraler - Como você aprendeu a costurar?
Nalva - Comecei fazendo roupas para as minhas bonecas e sempre querendo fazer melhor. Passei a fazer roupas para as minhas irmãs. Até o dia que minha mãe perguntou se eu não queria fazer uma roupa para ela. Fiz e assim vestia a família toda.

Modapraler – Qual foi seu primeiro emprego?
Nalva - Eu morava no interior e me mudei para Teresina. Aos treze anos fiz um curso de corte e costura. Logo comecei a pegar encomendas. No começo os clientes tinham um pouco de receio porque eu era muito pequena e eles tinham medo que eu pudesse estragar ou pegar parte do tecido para mim. Na época era comum a costureira ficar com as sobras de tecidos. Eu fiz um, dois, três e as pessoas passaram a confiar em mim e fui conquistando a freguesia. Voltei para Candindé e comecei a costurar por encomenda.

Modapraler – E como você veio parar em São Paulo?
Nalva - Com 15 anos eu voltei para Teresina para morar com uma prima. Nessa época eu não costurava, apenas ajudava na casa. Eu sempre pensava em sair do Piauí para tentar uma vida melhor. Aos 18 anos vim para São Paulo e aqui me tornei uma costureira profissional.

Modapraler- Foi grande o choque de mudar do Piauí para São Paulo?
Nalva – Eu enfrentei uma viagem de 48 horas. Vim só com a coragem e uma sacola. Cheguei em setembro e estava frio. Pensei que não iria me acostumar porque no Piauí faz 40 graus o tempo todo.

Modapraler – Foi difícil achar emprego aqui?
Nalva - Não, porque já tinhas umas amigas trabalhando aqui e consegui um trabalho em Sorocaba numa confecção de roupas para bonecas. Fazia roupa para fofolete e outros brinquedos.

Modapraler – Era difícil costurar peças minúsculas?
Nalva – Era muito complicado, e por isso aprendi muito. Lá, a chefe me estimulou e tive contato com máquinas de costura industriais. Fui me soltando. Comecei a mexer com overloque e galoneira.

Modapraler – E depois dessa confecção?

Nalva – Vim para São Paulo. Umas amigas estavam morando aqui e falaram que tinham boas oportunidades. Aí não parei mais, trabalhei em várias confecções e comecei a trabalhar com roupas de alta-costura com o Carlos Miele.

Modapraler- Qual a diferença da confecção de roupas casuais e na alta-costura?
Nalva – A exigência é muito maior. A qualidade está em primeiro lugar porque o consumidor tem dinheiro e vai exigir a perfeição em tudo.

Modapraler – Tem algum tecido, ou algum acabamento mais chatinho que você tenha dificuldade de costurar?
Nalva – Hoje não tem trabalho que eu não saiba fazer. Não acho nada dificil.

Modapraler - Você fica orgulhosa quando vê alguém com uma roupa que costurou?
Nalva – Tenho muito orgulho sim. A profissão de costureira é muito linda e poderia ser mais valorizada.

***
Crédito da Foto: Laura/ Modapraler

9 comentários:

  1. Que lindo o depoimento dela, amei! E já fiz muitos ajustes na Gisele, meus e de clientes, e são sempre perfeitos mesmo! A gente vê o carinho com as peças, né? Parabéns pelo post, amei!

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  2. Que bom que gostou Fernanda! Acho legal a gente valorizar as costureiras, afinal sem elas nenhum estilista existe. brigada pelo comentário. beijo

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  3. fatiminhacunha@yahoo.com.brsexta-feira, 05 janeiro, 2007

    Ola

    Entrei no site para saber se encontraria costureira para fazer algumas roupas pra mim e achei o dela, gostaria de saber como posso entrar em contato e se ha condições de costurar pra mim tbem..

    obrigada fatima

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  4. Nalva - conece outra costureira de bonecas e trabalhe como autônoma?
    meu nome é Ivana e meu telefone é
    (11) 3453-0115.
    e-mail.: contato@bonecaseartes.com

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  5. Oi, muito linda a primeira pag�na do seu blog,,,parab�ns,agora pe�o-lhe licen�a , para enviar a seguir uma proposta...Beijo e sucesso
    Roberta

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  6. Gostaria de comprar uma máquina de costura. Podem me dar uma dica de uma máquina para iniciante? Pretendo costurar apenas peças pequenas, artesanato. Nada profissional.
    larissars2@hotmail.com

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  7. Adorei o depoimento da Edivalda.
    Realmente é uma pessoa batalhadora e com certeza merece a benção de deus. Gostaria do email da Edivalda
    pra nós nos comunicarmos. Fico agradecida.

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  8. amei tb sou costureira comprei minhas maquinas pretendo prestar serviços para confecçoes meu email pauloselma@hotmail.com o depoimento da nalva me motivo ainda é muito bom ter esse tipo de liçao de de vida DEUS te abençoe...bjss SELMA

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  9. amei tb sou costureira comprei minhas maquinas pretendo prestar serviços para confecçoes meu email pauloselma@hotmail.com o depoimento da nalva me motivo ainda é muito bom ter esse tipo de liçao de de vida DEUS te abençoe...bjss SELMA

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