1 de março de 2006

Devaneios para o dia que a cabrocha pendura a saia


Seria Chanel a Estação Primeira de Mangueira da moda? Ou a Estação Primeira de Mangueira é a Chanel do Carnaval?

Todo ano fico deslumbrada com os desfiles das escolas de samba. Assistindo as escolas do Rio e de São Paulo penso a mesma coisa: o Carnaval é a alta costura Brasileira. As fantasias são incrivelmente criativas e deslumbrantes. Muitas vezes feita com material barato, porém, o efeito na avenida sublima qualquer falta de qualidade de tecido.

Esse ano duas fantasias me chamaram a atenção na passarela.

A primeira foi a do casal de mestre sala e porta bandeira da escola paulistana Águia de Ouro, cujo tema era “Não tem desculpa” e tratava do universo infantil. Ele era o Lobo Mau e ela a chapeuzinho vermelho. Esse quesito obrigatório no carnaval usando fantasias tão específicas foi algo inovador. Em geral usam plumas e penas colorida com sentido no enredo, mas pouco identificáveis fora dele.

A segunda roupa foi a da bateria da mangueira. Imagina o trabalho para as costureiras fazerem 280 fantasias recobertas com aplicações de fuxico? Um esforço monstruoso feito para durar uma hora e vinte. Palmas para as costureiras da mangueira. (Para quem não sabe fuxico é um circulo de tecido costurado. É feito com retalhos de panos. É um artesanato bem presente no nordeste. Recentemente o fuxico foi resgatado, e andou em roupas da Isabela Capeto e do Carlos Miele. Aparece bastante em bolsinhas em feirinhas hippies. Sonho em ter uma colcha de fuxico!)

Fiquei pensando o que a Mangueira representa para o carnaval. A escola é sempre uma das mais aguardadas. Seu desfiles são sempre no mínimo bons. Carrega a tradição do samba carioca trazendo no seu histórico sambistas como Cartola, Clementina de Jesus, Nelson Sargento e o ativo Jamelão firme na avenida aos 93 anos. Pensei em moda... E pronto Chanel apresenta as mesmas características no seu mundo, também exuberante e glamuroso para quem gosta.

Em 2004 na exposição Fashion Passion que aconteceu na OCA em São Paulo, o pavilhão 8 retratava 3 estilistas: Alexandre Mc Queen, Viviane Westwood e Jean Paul Gautier. Eles são famosos por inovar, exceder, ousar e quebrar paradigmas. Ao sair do espaço em que estavam suas criações os visitantes davam de cara com uma fantasia da ala das baianas da escola Imperatriz Leopoldinense. Certamente a baiana não deixa nada a desejar aos três e nem a nenhum outro estilista.

Imagina um deles encara do desafio de ser carnavalesco? Uma fantasia ia custar o preço de uma roupa de alta-costura. Acho que os devaneios dos três não chegam aos pés da criatividade e da agilidade de Victor Santos e Max Lopes (responsáveis pelos desfiles da Águia de Ouro e da Mangueira respectivamente).

***
Não falei de outras lindas indumentárias usadas em festas de carnaval e ao longo do ano Brasil a fora, como as do maracatu e do frevo em Pernambuco. Mas fica aqui o registro da minha eterna admiração pelas roupas usadas nas festas populares desse país. Cultura popular também é moda!

Ah! Vale entrar no site das escolas de samba citadas nesse post. Já fica com o mouse atento para reservar as fantasias para o ano que vem.
http://www.mangueira.com.br
http://www.aguiadeouro.com.br

3 comentários:

  1. amei o texto e virei fã do blog!
    =)

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  2. que bom! estamos à disposição... se precisar de qualquer coisa!!!! beijos!

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  3. gostei d++++ de tudo!!!
    amo vcs!!!!
    continuem assim vcs vão longe!!!

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