26 de janeiro de 2006

Muito para poucos



Começou dia 23 e acabou 25 a semana de alta-costura em Paris. Ainda nem tive tempo de escrever sobre o São Paulo Fashion Week, mas vou atropelar o relato do evento brasileiro para falar um pouco sobre essas apresentações suntuosas.

Esse ano 16 grifes participaram dos desfiles de alta-costura: Giorgio Armani Privé, Felipe Oliveira Baptista, Christian Dior, Anne Valerie Hash, Adeline André, Maurizio Galante, Valentino, Chanel, Dominique Sirop, Christian Lacroix, Christophe Josse, Givenchy, Frank Sorbier, Jean Paul Gaultier, On Aura Tout Vu e Elie Saab. As coleções mostraram as tendências primavera-verão e abriram a temporada internacional de moda de 2006.

Os destaques da temporada de alta-costura são sempre as grandes maisons. Chanel é sempre o centro das atenções seguido de Dior, feita pelo excêntrico John Galiano. Luzes também para Lacroix e Valentino. O "novato" Armani também ajuda a roubar a cena. O empresário italiano estreou na Alta Costura em 2005, nadando contra a corrente da moda que está totalmente focada para o prêt-à-porter.

São poucos os estilistas que realizam coleções de alta-costura. O número ainda assim é grande. Hoje apenas 2000 mulheres têm dinheiro para comprar essas luxuosas roupas, e somente 200 o fazem com freqüência. As principais clientes são norte-americanas. Representam 60% das consumidoras. Os outros 40% estão espalhados pelo mundo. As princesas e rainhas árabes e africanas são compradoras fieis.

Os clientes desembolsam, por exemplo, 50 mil dólares por um casaco Chanel. Os que investem em uma peça desse porte buscam status e exclusividade, uma vez que as peças são únicas. Alguns compram por considerarem uma obra de arte e têm verdadeiras coleções.

A alta-costura é exclusivamente parisiense. Para que a marca integre esse restrito grupo a roupa deve ser feita em Paris. O trabalho é realizado manualmente.

Todo o processo que envolve essa luxuosa técnica é controlado pela Chambre syndicale de la haute couture (Câmara sindical de alta costura), criada em 1868. Este órgão está ligado ao Ministério das Indústrias da França, cuida para que não haja plágio dos modelos e escolhe quem são os criadores aptos para entrar no seleto clube.

Se tão poucos podem comprar, por que ainda existe a haute couture? O processo de criação pode ser mais rígido quanto a técnica, porém, é mais flexível em relação a tendências e foco comercial. O estilista tem mais liberdade para criar e é o momento em que pode extravasar porque não é o que mantém a empresa para qual trabalha. Em contrapartida, a empresa que ainda investe em alta-costura reforça seu status de grande Maison, agregando ao seu nome sofisticação, luxo e poder.

Um pouco de história
A haute couture, como foi denominada surgiu por meio de um inglês chamado Charles Frederic Worth que trabalhava numa loja de tecidos. Ele começou a fazer roupas personalizadas para suas clientes e sua criatividade encantou a imperatriz Eugênia, mulher de Napoleão III. Logo, foi nomeado o costureiro oficial de sua majestade. Atento a demanda, Worth decide separar suas criações em coleções determinadas pelas estações do ano e assim define as futuras temporadas de moda.

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As informações que ilustram essa matéria estão no documentário “A Essência da Alta Costura” que o GNT exibiu em janeiro, no livro “Enciclopédia da Moda” de Georgina O’hara publicado pela Cia. Das Letras e na cabeça da redatora do blog.


Fotos: Style.com
Vestido Vermelhor Dior haute couture primavera/ verão 2006
Vestido Branco Chanel haute couture primavera/ verão 2006

2 comentários:

  1. ô Fru-Fru...

    Qdo Alice Baba for famosa quer vestir um prêt-à-porter by Laura Artigas...

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  2. Lau, parabens pelo blog!!! Precisa de uma correspondente em PARIS? Aceito pagamento em pecas de roupas. Beijos. Michal

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